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O tino de empreendedor
Plano de negócios na mão, idéias na cabeça, tino empreendedor pulsante, mas pouco capital para investir no próprio negócio. Para tirar o sonho do papel e transformá-lo em realidade, a alternativa que muitos encontram é sair em busca de empréstimos. Alguns bancos possuem linhas de financiamento específicas para quem quer abrir uma empresa, sendo que conseguir crédito ainda é considerado pelos brasileiros um desafio e tanto.
"Quando precisei de crédito para montar minha confecção, achei muito burocrático e demorado", reclama a costureira Maria do Socorro Araújo, que viu o desejo de ser dona do próprio negócio ser adiado pela segunda vez. "Na primeira vez que tentei fazer um empréstimo, não consegui um fiador", diz Maria. Ela garante que vai continuar tentando, mas se diz pouco motivada.
De acordo com José Valter Bento de Freitas, superintendente de Negócios do Banco do Nordeste (BNB), a dificuldade maior para que se consiga um empréstimo atualmente se dá por conta do volume da documentação exigida para atender determinações legais. "O que é interno do banco, fazemos o possível para simplificar, mas alguns documentos são solicidados por força de Lei", diz Freitas. O superintendente afirma que em 2006 o BNB estará bastante disposto a avançar em contratações voltadas para microempresas. Isso por conta da importância que tais estabelecimento têm para a geração de emprego e renda no País.
O BNB possui linhas de crédito que variam de acordo com o perfil do cliente e de acordo com a área em que o mesmo irá atuar. As diferenças podem ser percebidas tanto no que diz repeito aos juros quanto ao valor disponível para empréstimo. Freitas lembra que antes de buscar um financiamento é importante que o empreendedor saiba bem em que quer investir. "O cliente vai explicar o empreendimento, mostrar onde vai produzir, custos, quem vai comprar, enfim", destaca Freitas. Ele complementa que desta forma o banco fará a análise do risco do projeto e dimensionar a capacidade de pagamento do cliente.
Atualmente, quem solicita um empréstimo de até R$ 50 mil precisa apresentar um plano de negócios. Nesse caso o processo é mais simples e analisado na própria agência. Acima desse valor, o processo é mais complicado, sendo em alguns casos nessessários até a apresentação de um projeto bem mais complexo do que o plano. "Às vezes a gente se depara com pessoas que chegam ao banco sem saber claramente que área quer explorar. Mas percebemos que houve um avanço quanto a isso, graças a uma preocupação maior com a capacitação", diz.
No caso da Caixa Econômica Federal (CEF) não existe uma linha de crédito específica para os novos empreendedores, no entanto, profissionais liberais, recém-formados ou não, podem ter acesso ao Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). De acordo com Leuci Walraven, gerente de Mercado Pessoa Física da Caixa, parte do recurso pode ser utilizado para capital de giro do negócio e outra parte para a compra de equipamentos. É necessário ainda a apresentação de um plano de negócios. "O Proger tem sido mais procurado por médicos, odontólogos e professores", diz Leuci. O Proger financia até R$ 50 mil em 48 meses para pagar.
Também com recursos do FAT, o Banco do Brasil já está operando em parceria com Ministério do Trabalho, outros bancos oficiais e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), um programa nacional de estímulo ao primeiro emprego chamado de Jovem Empreendedor. Nirvando Moura, gerente de Núcleo e representante do programa no Ceará explica que jovens de 16 a 24 anos treinados pelo Sebrae e interessados em abrir o próprio negócio podem buscar o crédito. "O jovem precisa estar em situação de desemprego e ter família com renda per capita de meio salário mínimo", diz. O programa financia até R$ 50 mil, podendo ser pago em 84 meses, com 18 meses de carência.
Fonte:Google News |